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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Pela evolução constante do segmento de Controle de Pragas Urbanas no Brasil

A luta não é de hoje, e também não é de ontem. As associações de diversos estados do país nas últimas décadas tem capitaneado iniciativas para combater uma “entidade” que ficou popularizada como “Zé Bombinha”.
O “Zé Bombinha” teve origem quando empresas e profissionais sérios perceberam que mantinham estruturas administrativas e operacionais, folhas de pagamento, equipamentos de proteção, licenciamentos complexos e caros, veículos e todos os custos pertinentes, além de atualizações constantes de seus técnicos, enquanto concorriam deslealmente com uma pessoa, que às vezes se deslocavam de bicicleta ou mesmo de ônibus – diga-se de passagem, proibido há muitos anos – portando um pequeno pulverizador e fazendo serviços muitas vezes sem as devidas precauções consigo e com os clientes, talvez até mesmo usando produtos de procedência ilegal para esse destino.
Infelizmente existe um conceito popular de que é uma atividade relativamente fácil de se desempenhar: basta comprar um pulverizador e sair espalhando veneno. Uma “empresa” gaúcha há algumas décadas aparentemente fez exatamente isso, e acabou usando produtos agrícolas e talvez até outros de procedência desconhecida em uma pulverização em um posto de saúde em Porto Alegre. As aplicações foram feitas sem a evacuação das áreas e diversas pessoas que trabalhavam ou que se consultavam no local necessitam ainda hoje de tratamento em função das intoxicações, muitas delas com sequelas. A suposta “empresa” desapareceu, assim como seus responsáveis, e absolutamente ninguém pôde ser responsabilizado. A imagem a seguir mostra um jornal local nos classificados de empregos sugerindo algumas idéias de negócios que seriam mais fáceis de montar. A atividade que aparecia em primeiro lugar no ranking de facilidade era justamente uma desinsetizadora.



Pois bem, o combate a essa concorrência desleal e aos riscos que ela pode representar para a população possivelmente se alicerça em dois pilares principais:
  • Conscientizar a população – levar conhecimento aos supostos clientes que poderiam contratar os serviços do “Zé Bombinha”, conscientizando-os dos riscos em contratar pessoas que no mínimo podem não ter capacitação técnica para aplicar produtos tóxicos em suas residências ou comércios. Algumas associações tem feito bem esse trabalho.
  • Capacitar continuamente as empresas e profissionais da área – conscientizar os profissionais de suas responsabilidades e riscos envolvidos, aumentando o nível técnico das empresas e fazendo com que as empresas promovam diálogos mais embasados tecnicamente e uniformes. Algumas associações também tem se empenhado neste trabalho.

Algumas associações tem se empenhado em ambas tarefas no combate ao “Zé Bombinha”, e o mercado tem evoluído bastante desde então. Mas na verdade eu acredito que não é uma tarefa que compete exclusivamente às associações. Todas as pessoas que possuem conhecimentos que possam colaborar para a evolução dos profissionais e empresas de controle de pragas tem uma parte significativa nessa luta, pois podem colaborar principalmente no segundo pilar.
Depois de quase 30 anos participando deste mercado, assistindo diversas palestras em treinamentos, congressos, capacitações, em contato com grandes pesquisadores de multinacionais fabricantes de produtos e grandes especialistas em toxicologia, técnicas e métodos de controle, biologia e hábitos das pragas, realizando treinamentos em várias empresas de controle de pragas urbanas e reunindo conhecimentos relevantes de cada uma dessas conexões feitas, projetei algumas iniciativas para compartilhar esse conhecimento acumulado durante essas quase 3 décadas de aprendizado. Algumas dessas iniciativas estão se materializando em projetos distintos. O primeiro deles está sendo lançado agora em fevereiro/2017, e consiste em um livro que reune décadas de conhecimento técnico e gerencial na área de Controle de Pragas Urbanas. Para mais informações, veja no site desta iniciativa: www.pragasurbanaslivro.com.br.
Outras coisas ainda estão por vir nos próximos meses, vamos comunicando sempre por aqui e você também pode acessar www.pragasurbanaslivro.com.br/lista/ para cadastrar seu e-mail e ficar sabendo das novidades em primeira mão.
Abraços a todos e bons negócios!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Evolução do Mercado Consumidor de Controle de Pragas Urbanas

Olá, amigos(as)!

Em primeiro lugar deixo um grande abraço ao amigo Marcus Leandro, de Pelotas, que agradeceu o post sobre a questão dos raticidas no mês passado e a discussão a respeito da toxicidade e o risco de intoxicação de pessoas, em função do ocorrido em Porto Alegre.

No post desse mês vou deixar uma dica bem interessante e aproveito para gerar algumas discussões em cima de algumas coisas que estão acontecendo e também que eu vi em função desta dica.

Bom, pra começar, desviando um pouco do tema de controle de pragas urbanas, entrando numa área mais "high-tech", andamos mudando nosso plano de telefonia celular aqui na empresa, e em decorrência disso tive a felicidade de pegar um Samsung Galaxy S II, a segunda geração do smartphone top da Samsung. Estou ainda descobrindo bastante coisa, mas já pude instalar alguns aplicativos que estão à disposição no Android Market (central de aplicativos para o sistema Android, que é mantido pelo Google e que equipa o aparelho).

Em linhas gerais o aparelho é uma maravilha, poderia ficar falando horas e horas sobre as coisas que já consegui fazer com ele, mas como aqui não é o foco, vamos nos ater ao controle de pragas urbanas.

Pois bem, andei fazendo algumas pesquisas de aplicativos, e cheguei a instalar um aplicativo da Exame, revista de negócios da Abril, outro da Zero Hora, jornal local aqui no sul, e aí pensei: será que existe algo na área de controle de pragas urbanas? Pensei que se alguém teria conteúdo para Android, esse alguém seria a PCT (Pest Control Technologies), uma revista americana. Na mosca. Estava lá o aplicativo. Baixei, instalei, e me surpreendi. Gratuitamente posso acessar as últimas edições da revista e lê-la na tela do meu Samsung+Android a hora que quiser (será necessária uma conexão à internet para baixar o conteúdo, mas você pode salvar algumas matérias para ler depois).

Incrível, não? Pois eu recomendo para quem tiver um celular com Android e se dá bem com o inglês (a revista obviamente é em inglês): instalem esse aplicativo, nem que seja para dar uma "folheada" na revista virtual quando tiverem um tempinho (entre uma reunião e outra, na sala de espera do dentista, quando estiver aguardando para ser recebido por um cliente, etc.).

Numa olhada rápida na edição de julho deste ano, já fiquei sabendo, por exemplo, que nossos irmãos americanos no controle de pragas urbanas estão tendo que se adaptar a novas regras impostas pela EPA (agência de saúde de lá, seria nossa ANVISA), que estão complicando com algumas questões de raticidas.

Também uma nota me chamou a atenção, até por causa do momento que estamos vivendo aqui. Não tenho a intenção de fazer propaganda para ninguém nos textos do blog, por isso evito um pouco falar em fabricantes ou produtos, a não ser que seja para falar com mais profundidade sobre algum tema. Mas dessa vez vai exigir: a Syngenta fez uma promoção que se encerrou agora em setembro, onde as desinsetizadoras que comprassem determinados produtos poderiam concorrer a uma viagem à Flórida (EUA) para visitar a estação de pesquisa deles e também conhecer 3 grandes desinsetizadoras de lá. A viagem deverá ocorrer em novembro e infelizmente eu como distribuidor não vou estar junto, mas um cliente meu foi sorteado e vai estar lá nessa viagem.

Enquanto a promoção estava rolando, estávamos conversando, eu e algumas outras pessoas, a respeito das oportunidades da viagem: ver empresas grandes, de um mercado mais desenvolvido e mais regulado, e poder conhecer um pouco de como elas trabalham, e quem sabe, trazer dentro da bagagem idéias novas para a operação da empresa aqui. Conheço alguém que foi numa viagem dessa há coisa de mais de 10 anos e comentou que achou estranho quando soube que uma das empresas visitadas atuava no mercado doméstico (residências), quando todos os esforços aqui no Brasil estavam se intensificando cada vez mais em clientes corporativos (indústrias em geral, restaurantes, shoppings, etc.).

O guia da visita disse que aquele momento que o Brasil estava vivendo aconteceu nos Estados Unidos cerca de 30 anos antes. A questão é: seria um ciclo evolutivo que chegaria no Brasil também? Interessante reflexão. Agora, voltamos ao aplicativo da PCT: encontrei, folheando a revista, uma informação de que o controle de pragas urbanas é um dos serviços mais requisitados por usuários domésticos (veja os percentuais abaixo). A questão que fica é: será que o mercado consumidor de controle de pragas urbanas vai evoluir no Brasil a ponto de o mercado doméstico se tornar importante o suficiente para demandar contratos de prestação de serviço de controle de pragas urbanas? Com certeza precisaríamos continuar com um bom momento econômico para que essa evolução ocorresse. Mas a reflexão está lançada.

Serviços mais populares para usuários domésticos nos Estados Unidos
37% - limpeza de tapetes/carpetes
37% - carpintaria (? a tradução pode não ser exatamente esta)
31% - faxina
29% - manutenção de aquecedores e circuladores de ar
27% - eletricistas
26% - controle de pragas urbanas
24% - encanadores
24% - manutenção de gramados e jardins

Esse poderia ser um cenário possível no Brasil se as pessoas tivessem condições econômicas de contratar um controle de pragas efetivo (longo prazo) e se a cultura do auto-serviço for deixada de lado. A meu ver, uma coisa influencia na outra, pois se o usuário doméstico não estiver tendo 100% sucesso fazendo controle com produtos domésticos e tiver condições financeiras de contratar um especialista, com certeza vai fazê-lo.

Bom, ficam as dicas (3):
1) Aplicativo PCT para Android (talvez exista para iPhone também);
2) Reflexão a respeito da evolução do mercado;
3) Sugestão de termos mais fabricantes promovendo o intercâmbio de práticas de PCOs, seja internamente (no Brasil, talvez, promovendo visitas de empresas gaúchas a empresas paulistas, por exemplo), seja externamente (para outros países). Olho nisso, fabricantes!

A propósito, promovemos aqui no Rio Grande do Sul uma iniciativa que até onde eu me informei, foi inédita no Brasil (duas então, a primeira foi o canal do YouTube com palestras e treinamentos: www.youtube.com/divepra). Essa iniciativa foi de pegar uma empresa bastante conhecida na região e com bastante tempo de mercado e um porte significativo e promover uma visita técnica, onde outras desinsetizadoras foram conhecer sua história, como ela evoluiu e cresceu com o passar do tempo, e também conhecer um pouco da estrutura da empresa.

Houve um grupo de empresários aqui da região que se interessou e compareceu à visita técnica, e inclusive estão querendo montar uma espécie de "círculo da qualidade" em controle de pragas urbanas, para trocar experiências e práticas. Acho que isso tem potencial de ir para frente e eu vejo que muita gente do bem se interessou pelo projeto e demonstrou interesse em participar. Assumi a incumbência de tocar o projeto adiante e ajudar a organizar o grupo.

Tudo em prol de um crescimento sustentável das empresas e de uma evolução contínua e forte do setor.

O Paulo Costa vem fazendo um pouco essa integração de práticas com a Análise Setorial e o Dia Análise Setorial, em que são apresentados cases em que foi possível melhorar a gestão de empresas de controle de pragas urbanas num trabalho com base em indicadores (Paulo, se você permitir vou escrever sobre isso em seguida).

Vamos, lá, qualquer informação que desejarem sobre os assuntos aqui apresentados, estou à disposição.

Um grande abraço a todos e bons negócios!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

PortalPCO: outra inovação no mercado de Controle de Pragas Urbanas

Conforme vocês puderam ver no post anterior, eu abordei a questão da inovação no mercado de Controle de Pragas Urbanas. Retomando um pouco a questão, há algumas décadas, se fazia a "dedetização" e as famílias eram obrigadas a ficar pelo menos 24 horas fora do local. Com o advento de inseticidas menos tóxicos, como os piretróides, as pessoas passaram a reocupar suas casas apenas 2 horas após a aplicação. As empresas que acreditaram e adotaram essa tecnologia passaram a ter um diferencial frente às demais: você poderia reocupar sua casa pouco tempo após a realização do serviço, sem risco de intoxicação.

Anos depois, surgiram as primeiras iscas gel contra baratas, possibilitando fazer a manutenção do serviço sem a necessidade de evacuação do local e com o uso de uma quantidade muito menor de produtos químicos, e o melhor de tudo, com um resultado bastante eficiente.

No post anterior, referi sobre equipamentos de termonebulização que estão sendo lançados no mercado brasileiro e que estão possibilitando o acesso a equipamentos de excelente qualidade a um preço muito competitivo, significando uma nova revolução no mercado, que significaria a popularização da termonebulização para as desinsetizadoras.

Pois além desta revolução, está para acontecer outra, que também terá o seu lançamento para esta Expoprag: a revolução da democratização da informação e da gestão de empresas de Controle de Pragas Urbanas. Um pouco desta democratização já vem modestamente tentando ser realizada através da difusão de informações e da discussão de idéias feitas neste blog.

Mas agora o blog Xô, Praga! passa a fazer parte de um projeto maior. A partir deste mês de setembro, o blog junta-se a outras ferramentas que passam a estar à disposição das empresas de Controle de Pragas Urbanas no PortalPCO (www.portalPCO.com.br). PCO é a sigla que corresponde às palavras Pest Control Organizations (Empresas de Controle de Pragas), e o setor de Controle de Pragas Urbanas é conhecido por essa sigla em diversos países e já é comum principalmente entre fabricantes aqui no Brasil.

Além do blog Xô, Praga!, o PortalPCO também vai contar o blog Pergunte ao Especialista, no qual são respondidas dúvidas sobre assuntos relativos ao Controle de Pragas Urbanas. O PortalPCO conta ainda com serviços às empresas, tais como:

  • aviso de licitações da área, no qual aparecem somente licitações de acordo com as preferências de cada empresa, e somente da área de controle de pragas;
  • o Gestor de Serviços, que possui um cadastro de clientes e uma agenda para controle e agendamento de serviços, além da emissão de Ordens de Serviço com o logotipo de sua empresa e de acordo com as exigências da RDC 52. Esse sistema permitirá às empresas saber quais os clientes e serviços respondem pelas maiores parcelas de suas vendas, além de auxiliar a identificar que fatores podem estar interferindo na incidência de reaplicações dentro do período de assistência técnica;
  • o Gestor de Documentos, que auxilia a empresa a ficar em dia com sua documentação, emitindo alertas quando se aproximar a necessidade de renovação de licenças e certidões.
Algumas outras funcionalidades estão projetadas, mas ainda não estarão disponíveis durante o lançamento do PortalPCO. Na parte de conteúdos, além de notícias e eventos do setor, o PortalPCO contará com uma área em que os próprios usuários podem inserir conteúdos, como por exemplo, sobre roedores e baratas, semelhante ao conceito existente hoje na Wikipedia.

Durante o período de lançamento na Expoprag, as empresas de Controle de Pragas Urbanas que se cadastrarem no PortalPCO concorrem a prêmios, entre planos de acesso aos serviços do PortalPCO até um equipamento termonebulizador. Veja ao final deste post o endereço para cadastro.

Um dos principais pilares do PortalPCO é a parceria com as associações regionais. Empresas associadas em associações conveniadas ao PortalPCO gozam de descontos que podem chegar a até 60% nos valores das mensalidades. Diversas outras funcionalidades ainda devem surgir no PortalPCO nos próximos meses, pois a idéia é que o portal seja um aliado muito útil para as empresas.

Não deixe de visitar o PortalPCO no seguinte endereço: www.portalPCO.com.br.

Esperamos que goste da novidade!

Um abraço e bons negócios!

Concorra aos sorteios do lançamento do PortalPCO durante a Expoprag! Endereço para cadastro no PortalPCO: http://www.portalPCO.com.br/cadastro.php. Boa sorte!

P.S.: a partir de agora, todas as atualizações deste blog passarão a ocorrer no seguinte endereço: www.portalPCO.com.br/xopraga, e não mais neste endereço.

domingo, 15 de agosto de 2010

Inovação no mercado de controle de pragas urbanas

Prezados(as) amigos(as),

No post deste mês do blog, resolvi falar sobre uma questão importante e que deveria estar mais presente em nosso mercado: a inovação. Inovação é uma coisa curiosa, pois muita gente fala que é necessária e que deve fazer parte da rotina das empresas, mas principalmente no nosso setor, poucas mudanças foram presenciadas no decorrer dos últimos anos.

Falando em inovação, um dos exemplos que me vem à mente é a 3M. No meio acadêmico se conta que o PostIt, algo hoje tão óbvio e tão banal, foi resultado do desenvolvimento de um produto que não deu certo. Lá pelas tantas a equipe que estava trabalhando no projeto se deparou com uma cola que era capaz de fixar papéis em alguma superfície sem na realidade colar. Deste acidente de percurso nasceu esse papelzinho que a gente hoje gruda em tudo que é lugar para se lembrar das coisas. Mera obra do acaso.

A inovação é considerada atualmente como um processo, algo que ocorre continuamente. Muitas vezes acaba fracassando ao objetivo e jogando investimentos milionários pelo ralo, ou eventualmente o erro se transforma em uma oportunidade, e algumas poucas vezes - considerando o que já li sobre inovação e pesquisa e desenvolvimento, são poucas mesmo - o planejamento dá certo e o projeto do novo produto também, e aí é correr pro abraço e já ir pensando no próximo projeto.

No setor de controle de pragas urbanas, me lembro bem quando existiam apenas os termos "desinsetização" ou "dedetização". Eram épocas diferentes. O serviço consistia basicamente em diluir o produto em um pulverizador e passar em tudo que era canto da casa ou estabelecimento. Esse tipo de aplicação apresentava - e ainda apresenta - o inconveniente de que é necessário desocupar o ambiente, fazer o serviço e depois arejar para então reocupá-lo.

Em determinado momento começaram a surgir as iscas em gel. Essas iscas realmente revolucionaram o mercado e mudaram o conceito da desinsetização. A partir dali era possível realizar aplicações nos locais sem necessidade de parar com as atividades dos clientes, nem grandes procedimentos (arrumação do local para pulverização antes, limpeza geral depois), e o que era mais importante: atuando de forma mais eficiente sobre as pragas-alvo.

Mais ou menos nessa época também começaram a surgir com mais força outras ferramentas para auxiliar no controle, tais como armadilhas luminosas, estações de monitoramento, entre outros. Algumas dessas já existiam antes, mas ganharam mais popularidade. Era o começo do manejo integrado ou controle integrado de pragas urbanas, em que se lança mão de um sem-fim de estratégias e ferramentas de controle.

De lá para cá, pouquíssima mudança ocorreu. Uma molécula nova aqui, outra molécula nova ali, mas sem nada que pudesse realizar uma mudança tão profunda como foi no conceito da "dedetização" para o "controle integrado de pragas urbanas". Eu tenho evitado falar sobre produtos e equipamentos aqui para não tomar nenhum posicionamento comercial em favor de A ou B. Mas em se tratando de inovação, preciso citar esse exemplo que no meu entendimento trouxe uma nova tecnologia para o setor. São os termonebulizadores da MegaFog.

Essa empresa entrou no mercado promovendo uma evolução de conceito de equipamentos que existiam antes e que, apesar de terem uma estrutura de funcionamento simples, apresentavam problemas na hora em que mais se precisava deles: a hora do serviço no cliente. Quem usa essas marcas mais tradicionais do mercado sabe do que estou falando: chegar no cliente para fazer o serviço e o equipamento não pega de jeito nenhum.

Com termonebulizadores à gás, o pessoal que desenvolveu os equipamentos da MegaFog teve preocupações com itens como segurança, desempenho, simplicidade no manuseio, baixa manutenção e um dos mais importantes para o bolso das desinsetizadoras: o custo. Eu já vi outros equipamentos à gás por aí, mas sinceramente, a MegaFog conseguiu passar à frente de todos nesses quesitos que enumerei.

Experimentei um dos modelos, o Garden, e é possível utilizar o equipamento até mesmo balançando-o para os lados, para cima, para baixo, apontando a turbina em qualquer direção, que o equipamento continua funcionando como se estivesse na posição normal. A quantidade de fumaça produzida é muito boa e o aproveitamento da calda é total. Além disso, o equipamento produz uma fumaça mais fina, permitindo que se espalhe com facilidade e fique suspensa por mais tempo. Mas uma das coisas que mais me impressionou foi a facilidade para dar a partida. Abrindo algumas válvulas e acionando o botão de partida, é possível ver o equipamento funcionando com extrema facilidade. Esse sistema de partida está presente em todos os modelos da MegaFog. Quanto ao custo, neste quesito surge outro diferencial que merece destaque. O MegaFog Garden possui um preço final que o deixa no mínimo 3 vezes mais barato do que os principais termonebulizadores do mercado.

Juntando todas essas características, creio que atingimos outro ponto de mutação quase tão importante e profundo quanto foi o do surgimento do controle integrado: a popularização da termonebulização. Isso mesmo. Com essas vantagens e um preço muito acessível, esse equipamento facilita muito que mesmo as menores empresas de controle de pragas urbanas possam ter o seu próprio termonebulizador. Pode até não ser uma mudança tão profunda quanto foi na época do surgimento do gel, mas creio que um novo paradigma está surgindo, e nele, desinsetizadora de qualquer porte será capaz de ter a termonebulização entre suas técnicas de aplicação, método antes mais restrito às empresas de porte maior, pelo custo dos equipamentos existentes até então.

Para finalizar o exemplo da MegaFog, eu pude presenciar em um cliente que comprou um equipamento deles algo que não se vê todo dia. O cliente fez algumas sugestões de outras características que no entendimento dele poderiam agregar valor ao equipamento, e o representante da empresa, ao invés de assumir uma postura defensiva ou de simplesmente ignorar o que o cliente falou, registrou as sugestões e disse que levaria para serem discutidas. Ele depois me disse que a empresa está muito preocupada em atender às necessidades de seus clientes, não apenas vender seus produtos. Isso é diferente do que fabricantes de produtos dos mais diversos segmentos costumam fazer: imaginar o que vai resolver o problema do cliente e bolar algo nesse sentido, sem realmente perguntar a ele se aquilo de fato é útil para ele.

Note que a inovação nesse caso foi diferente da inovação da 3M. Enquanto no caso da 3M o resultado foi proveniente de um erro, no caso da MegaFog o resultado foi proveniente de planejamento e da exaustiva avaliação das principais máquinas existentes no mercado.

E já que o assunto em pauta é inovação, está chegando outra inovação que espero que surpreenda tão positivamente o setor de controle de pragas urbanas quanto este exemplo que citei. O blog Xô, Praga!, que existe desde julho de 2008 (sim, fez 2 anos agora!) passará a fazer parte de algo maior. É um projeto que nasceu junto com o blog, mas que demorou mais tempo para amadurecer. Nos próximos dias devemos ter um post específico sobre isso, pois ainda não é possível adiantar nada. Aos amigos que tem acompanhado essa trajetória nesses dois anos, deixo meu muito obrigado. A outros, que prometi essa mudança há mais tempo, ela está chegando (Walter, você é um deles!).

Peço desculpas se fiquei muito tempo falando sobre o equipamento da MegaFog, mas era importante para justificar porque eu acredito que outra mudança profunda está começando em nosso setor.

Aproveito também para lembrá-los sobre a Expoprag 2010, que ocorre agora em setembro em São Paulo. Informações no site http://www.aprag.org.br/.

Um grande abraço e aguarde pelas novidades!

Ah, e o endereço da MegaFog para quem quiser conferir: http://www.megafog.com.br/.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Vitória do Associativismo!

UFA! Parece que conseguimos... Não sei se pela intervenção de pessoas que tinham acesso ao pessoal da ANVISA, não sei se talvez por alguma cobrança de conselhos profissionais que possam ter sido alertados pelas empresas de controle de pragas, não sei se pela insistência do pessoal da FEPRAG e Associações, ou mesmo uma soma de tudo isso, mas a verdade é que a ANVISA sinalizou que vai mexer no texto que a ela própria declarou na época da publicação que seria o texto final e que não havia possibilidade de ser mudado.

A verdade é que não teríamos conseguido nada se não estivéssemos organizados em prol da coletividade das empresas de controle de pragas urbanas. E foi assim, com reuniões nacionais, mexe daqui, mexe dali, alguém da associação de tal estado tem um amigo que conhece um amigo de alguém influente, o outro tem um advogado que está orientando, o outro dá uma idéia nova, e assim vai. Então, se há vitória, há que se agradecer aos combatentes das associações, em especial à FEPRAG, que consolida os movimentos regionais e dá mais força e representatividade ao segmento a nível nacional. Parabéns, esta é uma conquista de todos. A primeira de muitas, espero. E que nos mostra que o setor tem força, se for organizado e coeso.

Segundo o Sr. Antônio Marco França Oliveira, presidente da FEPRAG, a entidade entende que a ANVISA deu um grande passo, mostrando que se preocupa com o setor e reconhecendo que a forma com que o artigo 9 da RDC traria muitos prejuízos ao setor em geral e de uma forma profissional e ética buscou o diálogo com o pessoal da FEPRAG. Para o Sr. França, este episódio confirma a importância das associações e consolida a figura da FEPRAG, e a vitória deve ser atribuída não a um ou dois personagens que participaram, mas sim a diversos líderes empresariais que dedicam seu tempo em prol da coletividade.
Há o que melhorar nas associações e na própria FEPRAG? Sem dúvida que sim, como qualquer empresa que está presente no mercado. Mas estamos construindo isso. E somente vamos conseguir se unirmos nossas forças. Se a ANVISA cumprir mesmo o que foi tratado com a FEPRAG, não teremos em três meses um setor inteiro jogado na clandestinidade por força de um texto cujas conseqüências não foram planejadas. Por isso, se você ainda não é associado, vá até a associação do seu estado e diga que quer participar, que quer ajudar o movimento a ganhar força, que quer crescer junto com o setor e quer saber no que pode colaborar para termos associações melhores. Se você já é associado, ótimo, mas quero fazer um convite: PARTICIPE!

Quero aproveitar a ocasião para comentar a respeito de um ilustre empresário do setor, do estado do Espírito Santo, que está acompanhando o blog. No mês passado ele comentou sobre as primeiras críticas que fiz à publicação da RDC 52, em 31/10/2009 (se desejar, confira o link ao final deste post). Infelizmente, não sei dizer o nome, pois o comentário foi postado anonimamente e talvez a pessoa não tenha se dado conta de que não seria identificada, ou talvez até tenha se dado conta, e é justamente para incentivar comentários que configurei para permitir comentários anônimos.

Voltemos ao "X" da questão. Ele diz que tem uma empresa pequena, que conseguiu se legalizar a muito custo, e que ouviu de outro empresário, já constituído há mais tempo, que "Nós queremos que as pequenas empresas fechem mesmo e deixem de atrapalhar o mercado". O que eu posso dizer? A pessoa que proferiu estas palavras, que seria membro de uma associação, simplesmente não foi feliz ou não entende nada dos objetivos do associativismo.

Sim, é verdade que existem muitas empresas no mercado fazendo loucuras com preços. Sim, é verdade que existem muitos "profissionais" que não entendem bulhufas do que estão fazendo e acham que controlar pragas é só jogar um "veneninho" no local. Sim, genericamente muita gente põe a culpa nos pequenos, porque teoricamente seriam empresas abertas por pessoas despreparadas tecnicamente ou gerencialmente, ou ambos. Aliás, esse é um pressuposto perigosíssimo de se generalizar.

Mas a conclusão disso é que o movimento associativista então deve ser uma união dos maiores para combater os menores? Que absurdo! Se alguma associação foi constituída com este objetivo, certamente não terá credibilidade, nem representatividade, muito menos sucesso. Isso porque o associativismo deve "impulsionar" o setor, não restringir o setor. Há mercado para todos. Alguns se especializam em um nicho, outros em outro, alguns se especializam em pragas específicas, outros não. A verdade é que se conseguíssemos aprovar uma lei de âmbito nacional que obrigasse estabelecimentos de qualquer tipo que lidem com alimentos - inclusive os fiscalizados pelas Secretarias da Agricultura - a realizar o controle de pragas somente com empresas especializadas, provavelmente as empresas existentes não dariam conta da demanda. Isso falando somente em estabelecimentos na área de alimentação.

Se a associação vai "brigar" por uma regulamentação assim, também deve cuidar para que haja o mínimo daqueles casos de empresas incapazes tecnicamente ou gerencialmente de operar, capacitando seus associados em formação de preços e outras técnicas gerenciais, em biologia e controle das pragas, técnicas de aplicação, entre outros.

Essa é a missão de uma associação, e ela só vai dar certo se fizer isso: ajudar a gerar demanda e garantir que seus associados estão capacitados para atendê-la. Portanto, prezados leitores que tiveram paciência de chegar até aqui, e também ao meu amigo do Espírito Santo: Participe de sua associação. Ninguém é dono da verdade, por isso é importante a participação de todos. Não deixe que alguns poucos subvertam o objetivo nobre do associativismo, que é em prol do coletivo.

Outra questão que vem reforçar a importância do movimento associativista é que está para ser finalizado em breve um projeto junto ao SEBRAE para oferecer suporte, treinamento e profissionalização junto principalmente às micro e pequenas empresas de controle de pragas. Isso é mais uma obra da FEPRAG e das associações dos estados. Assim que houver alguma novidade a respeito, vou postar aqui.
Finalizando, agradeço a todos os que estão acompanhando, em especial um grande abraço ao Sérgio e ao França, que foram representar a FEPRAG e o setor em Brasília como guerreiros, e retornaram vitoriosos. Um abraço também ao Jair de Igrejinha, ao Gilton, de Sapucaia do Sul e ao nosso amigo anônimo do Espírito Santo. Espero que o texto de hoje tenha convencido-o, assim como aos demais, de que o associativismo é importante para todos nós e que precisamos estar participando do que acontece.

Um grande abraço a todos e bons negócios!

Link para o post de 31/10/2009: Quem faz as leis não conhece a realidade do país...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Preferências do rato e outros assuntos

Amigos,

Hoje resolvi escrever sobre algo que já escuto pela segunda vez e posso dizer pelo que vejo acontecer por aqui, é uma tremenda bobagem!

Em poucos meses é a segunda vez que ouço de uma pessoa diferente que o raticida em bloco não funciona para rato de telhado. Bobagem. A mais pura bobagem.

Vamos aos fatos:

Em primeiro lugar, há iscas e iscas. Iscas atrativas e iscas nem tanto. Iscas com quantidade suficiente de ingrediente ativo e iscas nem tanto. Em segundo lugar, há operadores e operadores. Operadores que foram devidamente capacitados e operadores nem tanto. O terceiro lugar vai ficar por último, lá no final, e provavelmente seja o maior motivador desta baboseira que disseram.

Sobre a atratividade, sabemos que os grãos contidos tanto na isca peletizada quanto no bloco parafinado precisam despertar no rato a vontade de comer a isca, porque se ele não comer, ela não vai funcionar mesmo.

Também sobre o ingrediente ativo, este precisa ser um ingrediente ativo na concentração pelo menos suficiente para fazer o efeito desejado, já que se o rato não ingerir a quantidade mínima de ativo, o efeito pode ser revertido, pois os anticoagulantes existentes no mercado são metabolizados depois de alguns dias, se não atingirem a dose letal, lembrando que a qualidade do ingrediente ativo também faz bastante diferença.

Se o operador não posicionar as iscas em local adequado, levando em consideração fatores como o local que os roedores costumam transitar, a oferta de outros tipos de alimento, o tipo de isca adequada em função das condições do ambiente, o período de reposição das iscas, entre outros, a chance de o controle falhar também aumenta. Sabe-se que a parafina diminui um pouco a palatabilidade da isca, mas daí até dizer que não funciona não tem fundamento.

Mas eu acredito que a origem da real motivação que estas pessoas tiveram ao comentar isso foi puramente comercial. Eu jamais tinha ouvido em lugar algum que o raticida em blocos parafinados não funciona para rato de telhado. Pelo contrário, vejo muita gente que já comprou e continua comprando para usar no controle tanto de rato de telhado, quanto de ratazana e também camundongos.

Se alguém dissesse que em uma área com oferta de outros tipos de alimentos pode acontecer de o rato não ingerir tanto o bloco porque tem outro tipo de alimento que o atrai mais, eu até acredito, mas neste caso se deve mudar a estratégia de controle, ou usando raticidas granulados, ou facilitando que ele encontre a isca e dificultando o acesso aos outros alimentos, enfim, uma série de coisas podem ser tentadas.

O que estou tentando dizer é que há uma outra motivação por trás deste argumento, que é a de tentar colocar outro tipo de produto no mercado. Como eu disse, motivação puramente comercial. Estou alertando para este fato porque acredito que os responsáveis pelas desinsetizadoras, como profissionais que são, precisam ter discernimento técnico e filtrar as coisas que ouvem. Por favor, e isto é de uma forma geral: não acredite em tudo que você ouve.

Esta é a mensagem que eu gostaria de passar.

Agora, tratando de assuntos mais práticos, a questão da legislação (substituição da RDC 18) e do descarte das embalagens vazias, tenho notícias de que foi acertado entre o INPEV e a ANVISA um prazo de 180 dias para adequação após a publicação da nova regulamentação - que segundo informações, deve ocorrer no final deste ano.

Isso mesmo, se você, como tantas outras empresas, já passou alguns anos penando com essa questão das embalagens, seu sofrimento e brigas com FEPAM, VISA, fornecedores, fabricantes, centrais de reciclagem e outros está perto do fim. Só mais um pouquinho agora...

Outra que está saindo do forno: finalmente o estado do Rio Grande do Sul criou sua associação de empresas de controle de pragas! Em poucos dias estará devidamente oficializado e agora é batalhar pela profissionalização e crescimento do setor. E uma Sulprag no RS também não vai mal, né?

Em breve mais notícias!

Abraços e bons negócios!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sobre o movimento associativista

Este mês gostaria de fazer um post mais breve do que de costume, em virtude do momento que o mercado das empresas de controle de pragas está vivendo no Rio Grande do Sul e que certamente já ocorreu em diversos outros estados e em tantos outros ainda deve vir a ocorrer: o movimento associativista.

Eu acredito muito que uma associação ativa, forte e efetiva na defesa dos interesses das empresas de controle de pragas é fundamental para o crescimento do setor como um todo.

A minha participação na (re)criação da associação aqui no RS me fez refletir a respeito do processo, e da necessidade de maturidade, tanto das pessoas envolvidas efetivamente na associação, quanto dos associados.

Ao passo que via de regra - e isso eu já confirmei com pessoas atuantes em outras associações de outros estados, e me confirmaram que é assim mesmo - pouquíssimas pessoas dedicam parte do seu tempo para contribuir efetivamente na associação, algumas destas que não se envolvem acabam rotulando a associação de "panela", já que são quase sempre as mesmas pessoas batalhando pelo grupo, e não raro estes que acham que é uma "panela" acreditam que há membros ali que estão tratando de interesses próprios.

Não vou dizer que isso não aconteça em lugar algum, mas se a associação é uma entidade realmente democrática, permite que seus membros/associados se integrem às atividades que estão sendo desenvolvidas e portanto, quem não acredita no trabalho que está sendo desenvolvido deveria acompanhar mais de perto as coisas que estão acontecendo. Agora, é uma injustiça tremenda para quem está dedicando parte do seu tempo, que poderia estar fazendo outras coisas, ouvir pessoas dizendo bobagens como essa.

Por isso volto à questão da maturidade. As pessoas que estão "tocando" a associação precisam ter maturidade para buscar conhecer as necessidades dos associados e buscar alternativas para auxiliá-los. Os associados precisam ter maturidade para entender que em algum momento também a sua ajuda será necessária para que a associação obtenha êxito, seja somente com o pagamento de sua mensalidade, seja com auxílios na execução das tarefas da associação. Isto é uma associação. São diversos atores unindo suas forças para o bem comum, o crescimento de todos. Definitivamente não é meia dúzia trabalhando e dezenas cobrando questões insatisfeitos. Acha que não está bom? Reclame, mas também veja em que pode ajudar...

Bom, não vou me extender muito neste tópico. A idéia central era essa. Eu acredito que a associação aqui no RS tem potencial para ir para frente. E o movimento associativista no Brasil, como um todo, está evoluindo. Isso é positivo, um dia a gente chega lá.

A FEPRAG (Federação das Associações de Empresas de Controle de Pragas, a nível nacional) foi criada recentemente com a finalidade de defender os interesses das empresas em Brasília, buscando uma maior representatividade.

Finalizo com um serviço: Dia 17/08/2009 - 18:30 - Reunião para discussão do estatuto e criação da associação das empresas de controle de pragas do estado do Rio Grande do Sul. Local: Av. Fernando Ferrari, 562 - Porto Alegre - próximo à CEASA.

Grande abraço a todos, e se você ainda não viu os comentários sobre a V Sulprag, veja abaixo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Cobertura da V Sulprag - segundo dia

Continuando com os assuntos que estão sendo tratados durante o encontro, creio que hoje tivemos os assuntos que mais geraram expectativas entre os participantes. Um deles dizia respeito à revisão da RDC 18/2000, que é a norma que atualmente regula a atividade das empresas de controle de pragas. Outro igualmente importante era sobre a questão da devolução de embalagens vazias. Também pude assistir à palestra do Paulo Henrique Costa, da PHCFOCO, que trouxe algumas informações interessantes sobre o setor. Os três temas são tratados a seguir, e tenho visto que alguns deles são problemas recorrentes nas empresas, por isso não deixe de ler.

Vamos por partes.

Começando com o tema do Paulo, que organiza a Análise Setorial Vetores e Pragas, coletando e tabulando as informações das empresas que aderiram ao projeto. Com a Análise Setorial você pode comparar sua empresa com um grupo de outras empresas (obviamente você não consegue identificar uma empresa X ou Y neste grupo, mas você consegue comparar seu desempenho com as demais). O Paulo ajuda a interpretar os resultados, a comparar sua empresa com as demais e pode até sugerir algumas ações tendo em vista as diferenças. Eu particularmente acompanho o trabalho do Paulo há alguns anos e posso dizer que o trabalho tem valor, principalmente porque hoje ele tem a adesão das principais empresas do setor e isso dá um plus à Análise Setorial, pois se você aderir ao projeto, com certeza estará comparando sua empresa a ótimos exemplos a serem seguidos. Ao final deste post você encontra um link para obter maiores informações sobre a Análise Setorial.

O Paulo referiu que tem observado um crescimento do setor acima do crescimento do PIB nacional. Tendo como premissa de que o objetivo de uma empresa de controle de pragas é o bem estar da população, referiu também estudos que indicam que o crescimento objetivando este bem estar deve ser atingido através de três frentes principais: investimento em capacitação dos funcionários; investimento em veículos, maquinários e outros materiais necessários à atividade; e o aumento de produtividade, ou seja, otimizar a utilização dos recursos para poder ter um retorno maior sobre eles. É neste ponto que a Análise Setorial pode auxiliar as empresas.

Além disso, Paulo Costa também fez referências a algumas estimativas. Uma delas é de que uma empresa de controle de pragas em fase inicial costuma agregar outras atividades para poder se manter até que o movimento do controle comece a crescer, e que estima que uma empresa do ramo que segue rigorosamente todos os requisitos legais (cadastros em órgãos reguladores, licenças de funcionamento, veículos adaptados à atividade, etc.) comece a viabilizar o sustento somente com o controle de pragas a partir de um faturamento aproximado de R$ 150.000/ano.

Outros números curiosos apresentados foi de que na região sul existem aproximadamente R$ 1.500 empresas de controle de pragas cadastradas no Ministério do Trabalho (400 em SC, 600 no RS e 500 no PR), mas que a grande maioria sequer possui uma licença de funcionamento. A nível Brasil seriam cerca de 3.000 empresas registradas, sendo um montante aproximado de 6.000 empresas encontradas no Ministério do Trabalho. Um número bastante positivo foi uma estimativa feita sobre as empresas que teriam obrigatoriedade de realizar controle de pragas com empresas especializadas mas acabam não fazendo, algo em torno de 73%. Isso quer dizer que há muito mercado para ser trabalhado e espaço para muita gente trabalhar e para o setor crescer bastante. Fora as empresas que não possuem obrigação legal de contratar uma empresa especializada.

Passando para o tema da revisão da RDC 18/2000, que entrou em Consulta Pública em dezembro de 2008, ficando até fevereiro, pudemos assistir à palestra da Dra. Tânia Pich, Gerente Geral de Saneantes da ANVISA/MS. Ela trouxe as principais novidades que devem fazer parte da nova regulamentação, que agora deixa de ser uma Norma e passa a ser um Regulamento Técnico. O objetivo da mudança foi de atender às solicitações de diversas entidades que pediam alterações na mesma.

A Consulta Pública 76, de 23/12/2008 contou com uma participação muito grande das entidades ligadas ao controle de pragas e vetores, bem como cidadãos e profissionais. A Dra. Tânia citou que esta consulta obteve um total de 58 contribuições (eu fiz uma delas) e comparou com uma outra consulta sobre registro de saneantes que encerrou recentemente e que obteve um total de 4 contribuições. Realmente é uma satisfação ver que as pessoas finalmente estão se mexendo para defender seus interesses no tocante à legislação ao invés de ficar esperando que a lei caia sobre nossas cabeças sem poder reclamar depois.

Tenho alguns detalhes aqui que vou acabar suprimindo em função de que não quero ficar discorrendo sobre coisas não tão importantes, já que ainda temos o tema do descarte de embalagens depois. A revisão ainda não está em seu formato final, mas muitas coisas já estão praticamente definidas. Os pontos de destaque iniciam pela ampliação da abrangência do alcance da regulamentação (controle de pragas em diversos setores) e também das definições sobre os termos. Um deles, e creio que o item que mais gerou polêmica, foi quanto ao Responsável Técnico.

A partir da nova regulamentação, que saliento aqui, ainda não está vigorando, o Responsável Técnico é um profissional de nível superior ou médio profissionalizante regulamentado pelo respectivo conselho e habilitado para exercer esta atividade, devendo ter uma comprovação oficial fornecida pelo conselho de classe dizendo que este profissional possui capacidade para a função. Logo, recai sobre os Conselhos Regionais de cada profissão decidirem que tipo de profissionais podem exercer a função de Responsável Técnico e ainda, dentro daquela formação, precisam confirmar que a pessoa está capacitada para tal. A preocupação da maioria das empresas é de que qualquer pessoa com curso de nível técnico ou superior de qualquer área de formação possa vir a ser RT de uma empresa de controle de pragas, indo contra uma luta de muito tempo para profissionalizar o setor, tendo como RT pessoas capacitadas dentro da área de conhecimento que habilita a atuar no segmento.

Para quem não recorda, na RDC 18 são permitidos apenas profissionais de nível superior dos cursos de Medicina Veterinária, Farmácia, Agronomia, Química (ou Engenharia Química) e Engenharia Florestal. Agora cabe aos conselhos definir quem são estes profissionais. Na prática, a esperança da ANVISA é de que os Conselhos Regionais sejam responsáveis nestas atribuições e que isto comece a gerar a necessidade de criação de cursos de especialização nas faculdades ou mesmo no aumento do foco nos cursos de graduação que pretendem formar RTs, em disciplinas que tratem do assunto.

De uma forma geral, a nova regulamentação também trata sobre boas práticas operacionais, POPs e EPIs (equipamentos de proteção individual), sendo que este último não é tratado na norma atual.

Outros pontos de fato também importantes começam a aparecer novamente nas questões a seguir:
  • obrigatoriedade de licença sanitária E ambiental (precisa as duas!)
  • também é necessária a AFE (Autorização de Funcionamento de Empresa), que permite a atuação a nível do estado em que foi feita a AFE
  • a obrigatoriedade de licitações específicas para o controle de pragas serem realizadas em separado de compras públicas de outros tipos de serviço (ex.: limpeza, vigilância, portaria) e somente podem ser executados por empresas profissionais de controle de pragas. Este é um item que promete acabar com a concorrência desleal de licitações que englobam serviços como limpeza e controle de pragas. Segundo Paulo Costa, que elogiou muito este item, deve abrir um grande mercado para as controladoras nos próximos anos devido a esta exigência
  • as empresas precisam ter uma identificação na fachada com nome fantasia, serviços prestados e número da licença ambiental
  • somente podem ser usados produtos registrados no MS/ANVISA
  • a diluição, transporte, aplicação e descarte de produtos e embalagens devem estar descritos em POPs
  • veículos devem ter compartimento que isole os produtos e equipamentos dos trabalhadores e devem ser de uso específico para o controle de pragas
  • proibição de emissão de nota fiscal avulsa (visando coibir a atuação de empresas não especializadas)
  • as licenças devem ser referidas em todas as propagandas
  • as propagandas também sofrem algumas restrições. Fica proibido causar temor na população visando promover o uso dos serviços (ex.: enfatizar riscos de contrair doenças se não realizar o controle, que pode ser considerado como sendo abusivo dependendo da forma como for feito). Além disso também não podem ser usados termos como "aprovado" ou "recomendado", referindo-se aos serviços como sendo indicados por alguma instituição pública ou privada. Também não podem ser usados termos como "atóxico", "inócuo", etc.
  • as normas ISO para controle de pragas estão sendo citadas, o que as confere a partir daí um valor legal

Além de tudo isso, algumas orientações para o descarte de embalagens foram dadas (ver mais também depois na palestra do representante do INPEV). O destino final das embalagens de produtos profissionais é de responsabilidade do fabricante ou importador. As empresas de controle de pragas ficam obrigadas a devolver as embalagens inutilizadas para os fabricantes mediante comprovação de entrega. Também as embalagens vazias devem retornar à empresa logo apóes a utilização. Também estão sendo detalhados alguns procedimentos mais específicos pré-descarte, dependendo do tipo de embalagem.

Sobre o comprovante de execução de serviço, este deve conter, além do que já está especificado na RDC 18, data de execução do serviço, validade da assistência técnica com o prazo especificado por praga-alvo. Identificação da empresa de controle de pragas citando o número e a validade das licenças.

Em espaços coletivos devem ser afixados cartazes alertando para a data da aplicação e observando o grupo químico do produto que será utilizado e o telefone do CIT (Centro de Informações Toxicológicas).

Finalizando, a revisão se propõe a combater a clandestinidade e uma maior integração com os Conselhos Regionais. A Dra. Tânia também alertou que já no Art. 2 é feita referência à possibilidade de infração caso este regulamento não seja cumprido, conforme Lei 6437/77, podendo a autuação atingir valores entre R$ 2.000,00 e a R$ 1,5 milhão. A fiscalização nestes casos fica a cargo das vigilâncias estaduais/municipais.

Por fim, a Dra. Tânia colocou o entendimento da ANVISA de que independente da atividade da empresa, o uso de produtos saneantes desinfestantes de uso profissional somente pode ser regulado pela própria ANVISA, pelo fato de os produtos serem registrados no Ministério da Saúde. Sendo assim, somente entidades especializadas no controle de pragas podem fazer uso destes produtos de uso profissional. Este tema foi levantado porque surgiu numa pergunta um exemplo em que um frigorífico (que é regulamentado pelo MAPA) faz o autocontrole, que seria permitido pela regulamentação do MAPA. Em tese, este autocontrole não poderia ser feito com produtos profissionais registrado no Ministério da Saúde. Se este entendimento estiver correto e for respeitado, aí sim, abre-se um enorme campo de atuação para as empresas de controle de pragas.

Por fim, mas não menos importante, voltando um pouco na questão do descarte das embalagens vazias, o Eng. Agrônomo Eduardo Brito Bastos, Gerente de Projetos do INPEV, trouxe uma grande esperança para todas as empresas de controle de pragas em sua palestra.

Ele explicou a atuação do INPEV e todo o trabalho que foi realizado no recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos, salientando números impressionantes de que no Brasil se recolhe 94% das embalagens que são colocadas no mercado, número que muita gente envolvida acreditava ser impossível chegar perto e que o INPEV conseguiu com muito mérito chegar neste ponto. Para se ter uma idéia, os EUA, que é o país que mais consome agrotóxicos recolhe cerca de 20% de suas embalagens. O Brasil responde por 13% dos agrotóxicos utilizados no mundo e por 51% das embalagens recolhidas no mundo.

As embalagens recolhidas, que segundo uma lei de 1989 deveriam ser enterradas e que o INPEV fez todo o esforço para chegarmos na situação atual, tendo a tríplice lavagem ficam com resíduo na ordem de 100 ppm, e pode ser reciclado como plástico comum, dando origem a itens como tubulação de esgoto, tampas de frascos de agrotóxicos, entre outros.

O Brasil conta hoje com 400 unidades de recebimento de embalagens em 25 estados. No Rio Grande do Sul existem cerca de 25. Até agora o assunto foi de embalagens de agrotóxicos, mas ao final o Eduardo apresentou a proposta que está sendo trabalhada pelo INPEV, de incluir as embalagens de saneantes desinfestantes de uso profissional, sendo que no estado do Rio de Janeiro já há uma central habilitada para receber este tipo de embalagem e deve ser estudado a partir de agora um aval a ser dado pelas indústrias, que devem arcar com grande parte das despesas do descarte. A partir deste aval, será feito um piloto primeiramente no estado do Rio de Janeiro e posteriormente no estado de São Paulo. Estes dois estados devem responder por cerca de 50% deste tipo de embalagem no país.

Estando tudo certo, o projeto pode ser extendido aos outros estados e finalmente teremos uma solução para o problema das embalagens. Agradeço, em nome das controladoras de pragas e dos distribuidores de produtos ao INPEV e ao trabalho que o Eduardo está desenvolvendo, por estar trabalhando para nos trazer um pouco de paz neste assunto que durante tantos anos tem complicado a vida de muita gente.

Ele deixou bem claro que este trabalho está sendo desenvolvido também em parceria com a Tânia, pois a viabilidade também depende de que saia a regulamentação obrigando a destinação correta das embalagens e reponsabilizando os fabricantes por esta ação. Então, muito obrigado a ambos e a todos os outros que estão envolvidos no processo.

Também o Eduardo me disse que o credenciamento pode ser feito pela associação que represente as empresas de controle de pragas, para que não tenham que se cadastrar todas as empresas para proceder a devolução, ficando apenas para ser ajustada a questão dos custos que isto implicaria no momento da devolução.

Por fim, a revisão da RDC 18 deve estar encerrando nas próximas semanas e deverá ser publicada em breve, concedendo às empresas um prazo de adaptação, que segundo a Dra. Tânia, deve depender mais da previsão para o final do piloto da devolução das embalagens do que qualquer outra coisa, pois somente a partir daí as centrais poderão legalmente fazer o recebimento sem correr riscos e até lá as empresas não teriam como proceder a devolução. Para o piloto, o Eduardo me disse que pretende que esteja pronto até o final do ano.

Parabéns a todos por esta evolução!

Conforme prometido, as informações sobre Análise Setorial podem ser obtidas em http://www.analisesetorial.com.br/ ou http://www.phcfoco.com.br/. Com certeza é interessante que todos conheçam este trabalho e se possível, participem.

Amanhã trarei informações sobre o último dia do evento. Qualquer dúvida sobre os assuntos tratados ou até mesmo não tratados, estou à disposição!

Confira aqui informações sobre o primeiro dia:
http://xo-praga.blogspot.com/2009/06/cobertura-da-v-sulprag-primeiro-dia.html
Confira aqui informações sobre o terceiro dia:
http://xo-praga.blogspot.com/2009/06/cobertura-da-v-sulprag-terceiro-dia.html

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Você [realmente] conhece o seu mercado?

Na semana passada participei de uma reunião que me obrigou a refletir um pouco sobre o quanto pensamos estar cientes das coisas com que lidamos.

Pensava conhecer no mínimo razoavelmente bem o mercado em que atuo, mas de repente me dei conta de que o que sabemos é apenas a ponta do iceberg. Pensava conhecer um pouco do que os clientes querem, do perfil deles, pensava estar bastante avançado em termos de abrangência de mercado... Mas muito ainda pode ser enriquecido com estudos mais aprofundados.

Por exemplo:
  • será que os segmentos que atendemos são os únicos que podem ser trabalhados?
  • será que conhecemos bem o perfil de nossos clientes e o que eles realmente desejam?
  • será que por desconhecer algum detalhe, podemos estar entrando com uma abordagem que seja um pouco inadequada?
  • em um mercado tão concorrido, como ganhar mercado?
  • e uma pergunta que decorre de todas estas: sem conhecer as minúcias do mercado, como elaborar e implementar uma estratégia adequada? (sem conhecer devidamente as características do mercado, podemos estar dando tiros a esmo tentando acertar uma mosquinha)
  • você sabe onde estão localizados seus clientes? Há alguma área de maior concentração?
  • antes de partir para novos mercados, que tal fazer um estudo detalhado sobre ele?
Estas são algumas das perguntas que devem nortear um trabalho de estratégias comerciais mais agressivas. É o início. Se você pular esta etapa, você pode até se dar bem, mas o trabalho será muito maior.

Esta semana estou sendo mais econômico nas linhas escritas, pois me dei conta de que temos muito que estudar... E isto é um aprendizado enorme...

Então, esta é a dica da semana: se você acha que conhece bem o mercado que você atua, seja ele qual for, experimente dedicar algumas horas da sua semana para estudar um pouco mais, você vai se surpreender com o que você pode descobrir!

Um grande abraço a todos e bons negócios!