Mostrando postagens com marcador irresponsabilidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador irresponsabilidade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Questões ambientais [de novo] na pauta - desativação de inseticida

Prezados(as) amigos(as),

Em primeiro lugar gostaria de agradecer a vocês que vêm acompanhando o blog. Espero que estejam gostando das discussões. Eu fico muito contente quando alguém me dá um feedback sobre os escritos, e me surpreendi no post anterior quando recebi, no dia seguinte à publicação, um telefonema do ilustríssimo Vanderlei Menin, de Camaquã/RS, me parabenizando pelo post e comentando sobre as coisas que eu havia escrito. Vanderlei e demais leitores, é nessas horas que a gente se sente orgulhoso pelo trabalho que vem desempenhando. Obrigado a todos! E recomendo que leiam o post anterior, se ainda não o fizeram.

Começo o post, depois deste agradecimento, dizendo que no ano passado o blog foi integrado a um projeto maior, dentro do PortalPCO, mas infelizmente o pessoal do desenvolvimento não conseguiu entregar o que era necessário para o projeto do portal funcionar como deveria. A partir de agora então, o blog volta a ser publicado neste endereço e deverá continuar assim. O PortalPCO estará sendo reconstruído e começará a contar com funcionalidades de forma gradual, devendo o blog Xô, Praga! permanecer como um parceiro do PortalPCO, mas de forma independente.

Aos amigos e leitores que apreciam o conteúdo deste blog e que acham as discussões úteis/relevantes, pedimos que avaliem a possibilidade de contribuir com a continuidade do projeto do blog, que tem por objetivo trazer novidades e discussões relevantes aos profissionais do setor de Controle de Pragas Urbanas, de alguma forma tentando fomentar o desenvolvimento do mesmo. Para isso, basta preencher o seu e-mail aqui ao lado direito da página e a contribuição se dá de forma online, sendo encaminhado ao PagSeguro, que é encarregado de fazer os pagamentos de centenas de lojas online com segurança. Agradecemos toda ajuda que seja possível. Caso não deseje fazer qualquer doação mas queira cadastrar seu e-mail para receber avisos de atualização do blog, faça o mesmo procedimento para doação, porém deixando o campo "valor" em branco, seu cadastro será processado, sem ser solicitado o pagamento.

Agora, após esses esclarecimentos, vamos ao tema central deste post. Estive na FEPAM (órgão ambiental aqui no RS) conversando sobre um projeto que estávamos tentando viabilizar para facilitar a questão do licenciamento ambiental aqui no estado, que está bastante difícil de ser obtido. Semelhante à confusão que geraria a RDC 52 com a questão da restrição de localização das empresas, aqui no estado exige-se que os depósitos das desinsetizadoras estejam a no mínimo 15 metros de residências ou outros estabelecimentos. Segundo informações que sempre obtive das empresas daqui, esperava que o pessoal da fiscalização, com quem conversei, fossem pessoas que queriam apenas dificultar a viabilização de empreendimentos. Pelo contrário, eles se interessaram bastante pelo projeto e fizeram alguns esforços no sentido de viabilizá-lo.

Infelizmente, algumas exigências feitas inviabilizaram economicamente o projeto. Mas enfim, uma das coisas que conversamos foi sobre a questão das embalagens e a água da tríplice lavagem ou sobra de calda (ao final vou dar algumas informações de como está essa situação das embalagens de domissanitários). Questionei a eles qual a orientação deles a respeito dessas sobras, se seria melhor a desativação ou a reutilização como base para calda.

Eu particularmente sempre recomendo aos meus clientes que façam a reutilização, mas como uma vez assisti a uma palestra em que era explicada a desativação, achei melhor perguntar para saber qual a opinião deles. Como eu imaginei, eles condenaram a desativação, até mesmo porque seria difícil saber se o inseticida foi mesmo desativado. Comecei a pesquisar sobre o tema da desativação e descobri com muita surpresa que o processo foi sugerido em 1989 por profissionais da área, e o inseticida seria desativado através de hidrólise (água), fotólise (luz do sol) e pela exposição ao meio alcalino (soda cáustica). Até aí tudo [quase] bem.

Ocorre que este processo de desativação foi proposto sem a realização de testes laboratoriais que comprovassem a sua eficácia. O que mais me impressiona é que mesmo assim, ACHANDO que talvez pudesse ser um método eficiente de desativação do inseticida, o processo foi incluído e publicado em um manual de controle de insetos urbanos, amplamente distribuído, e depois disso alguns profissionais referência começaram a divulgá-lo como sendo um método eficaz (como o caso que citei, que ouvi este método em uma palestra).

Ocorre que o próprio autor da proposta reconhece que não foram feitos os testes comprovando que o sistema funcionava e atingia os objetivos, mas as pessoas estão por aí divulgando como se funcionasse. E o que me preocupa mais ainda, ele diz que diversas desinsetizadoras e órgãos públicos utilizam esse sistema de desativação de inseticida. Isso só comprova a idéia que tanto tentamos reverter, de que tem muita gente despreparada atuando (lamentavelmente tem, mesmo).

Infelizmente essas coisas são assim. Mas vamos mudar isso. E o primeiro passo que podemos dar é divulgar que esse método [pelo menos ainda] não é comprovado. Pode até ser que funcione. Mas na verdade não se sabe. Sabe-se lá se não acaba sendo pior, depois dessa misturança toda... Quem sabe um dia possamos esclarecer isso, mas por enquanto, vamos passar adiante que esse método não é recomendável, até termos certeza. E para quem utiliza esse sistema, vamos à reutilização da água como calda!

Conforme eu prometi, eu iria fazer comentários sobre a questão da devolução das embalagens. Há um projeto que está sendo liderado pela ABAS (Associação Brasileira de Aerossóis e Saneantes), junto com 14 fabricantes (Basf, Bayer, Bequisa, Clarke, Dexter Latina, De Sangosse, Fersol, FMC, IharaBras, Pika Pau, Rogama, Server Química, Sumitomo e Syngenta). Neste projeto a ABAS está contratando o InPEV para operacionalizar o sistema de destinação de embalagens de nosso setor. Numa fase inicial, chamado de piloto, será iniciado nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, com um estudo do dimensionamento do sistema necessário para atender à demanda, e proverá as informações que faltam para se discutir a ampliação do projeto a nível nacional. A previsão da duração do piloto é de seis meses. Para a implementação do piloto, está prevista a realização de workshops nestas 3 cidades. Vale lembrar que o prazo dado pela ANVISA na RDC 52 esgotou em junho (eram 18 meses desde a publicação da RDC). É bom saber que começam a surgir as primeiras ações de cunho prático para as desinsetizadoras. Vale também ressaltar que o período desde a publicação da RDC 52 até agora não foi de inércia, desde lá estão sendo realizadas diversas reuniões com os envolvidos (ABAS, fabricantes, InPEV, entre outros).

Finalizando, gostaria de lembrá-los de ajudar a manter o blog no ar... Toda ajuda é bem-vinda! E também, para darem uma olhada em uma iniciativa de um distribuidor aqui do sul, realmente uma coisa inédita no nosso mercado nacional: as palestras realizadas passaram a ser gravadas e posteriormente disponibilizadas no YouTube, podendo ser utilizadas para treinamentos nas empresas: http://www.youtube.com/divepra.

Mando um grande abraço ao Vanderlei Menin, que me deu um feedback sobre o post anterior, e também para o colega Sérgio Ormondes (MT), que assim como eu está investindo na carreira de consultor para empresas e profissionais da área de Controle de Pragas Urbanas, fazendo treinamentos, orientações e provendo soluções de gestão e infra-estrutura que ajudem o desenvolvimento do setor. Muito sucesso a nós, Sergião! E aos leitores, contem conosco, sempre!

Aqui está um link para a descrição do método de desativação proposto (não custa lembrar: não comprovado).

Um abraço a todos bons negócios!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Se bobagem fosse eficiente contra pragas...

Eu tenho ouvido nesses anos todos na área de Controle de Pragas Urbanas cada coisa que a gente pensa que só pode ser piada. Lembro da época em que trabalhava em uma empresa controladora de pragas, de ter ouvido de um cliente a afirmação de que o rato depois de morrer virava morcego. Um absurdo.

Mas existe coisa pior do que isso. Pior do que uma pessoa leiga falando bobagem é uma pessoa que supostamente deveria conhecer o assunto da qual está tratando, falando bobagens até piores do ponto de vista das conseqüências que pode acabar gerando.

Fazendo pesquisas de notícias para o PortalPCO, esbarrei em um blog que possuía um post chamado “O malathion e a dengue”. O post ficou muito interessante porque o jornalista que o escreveu fez um apanhado de diversas notícias sobre o assunto e felizmente fez o alerta ao final para uma coisa que me chamou a atenção.

O texto começa falando que a Secretaria Municipal de Campo Grande (MS) adotaria uma série de medidas no combate à dengue. O coordenador do CCZ local informou que um novo inseticida seria utilizado no combate, e que este seria mais potente e não traria risco algum à saúde das pessoas. Esse “novo” inseticida é nosso velho conhecido e que já caiu bastante em desuso no segmento de controle profissional: o malathion.
Fiquei boquiaberto ao ver a asneira que esse profissional falou sobre o produto. Além de não ser novo coisa nenhuma, o malathion é uma molécula do grupo dos organofosforados, que já está sendo proibido em alguns países da Europa pela toxicidade geralmente mais elevada e pela agressividade de seus efeitos. E lá foi a Secretária-Adjunta de Saúde dar seu pitaco que também deve ser de especialista, dizendo que o “novo inseticida tem 100% de eficácia contra o mosquito da dengue”.

Meu Deus, avisem o pessoal das Vigilâncias do Rio de Janeiro e outros estados que estão com problemas de dengue, que o pessoal de Campo Grande descobriu a solução do problema! Uma asneira atrás da outra… Depois volta o coordenador do CCZ dizendo que o “novo inseticida é inofensivo para os seres humanos e animais domésticos”.

A diarréia verbal não pára por aí, quando retorna a Secretária-Adjunta para dizer que na pulverização o índice de controle é de quase 100% (ué, não era 100% antes?), mas que no “fumacê” o inseticida chega ao inseto em dosagem baixa, comprometendo toda a campanha anti-dengue.

Por favor, culpar a técnica de aplicação utilizada por pessoas sem um mínimo de conhecimento técnico, e que provavelmente estão fazendo quase tudo errado, é no mínimo descabido. O “fumacê”, ou termonebulização, é uma das técnicas de aplicação que se usa no controle de vetores e pragas urbanas. Assim como as demais técnicas, também possui um objetivo específico, uma forma correta de ser feita e deve ser utilizada em conjunto com outras técnicas de controle químico ou físico, exatamente da mesma forma que as outras. Tudo depende da situação e da estratégia de controle que se desenha.

Desculpem o desabafo, mas eu acho um absurdo que pessoas que deveriam se informar e se preocupar com o tipo de informação que passam, por supostamente serem entendidas no assunto, falarem tanta bobagem irresponsavelmente assim. Imaginem se as pessoas que viram essas notícias resolvem achar que o malathion é a solução para tudo que é tipo de inseto e resolvem colocar até em alimentos, por que um especialista falou que é inofensivo aos seres humanos?

O post do blog felizmente foi mais além e trouxe mais informações questionando a legitimidade das informações passadas por esses “profissionais”. Vale a pena dar uma olhada, coloquei o link ao final. Parabéns ao autor.

Para finalizar, dois pensamentos que me passaram pela cabeça quando li este mesmo post e mais uma outra notícia que informava sobre o início do fumacê em Bauru. O interessante é que ambos orientam que os moradores deixem suas casas com portas e janelas abertas “para melhor ação do inseticida”.

Primeiro me veio à mente a imagem de dezenas de casas completamente abertas à noite (a aplicação iniciaria 18:30), um prato cheio para os larápios de plantão. Só entrar e pegar. Depois fiquei pensando que faltou dizer que a população deveria deixar portas e janelas abertas durante a aplicação e que deveria ficar fora do local em que a fumaça está sendo aplicada, justamente para não se intoxicar. Mas se o “novo” veneno é “inofensivo”, acho que não precisa, não é?

Novamente: que absurdo…

Abraços a todos e bons negócios! E sigam acompanhando as novidades do PortalPCO!

Link para o post: clique aqui.